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Bíblia em Mirandês

Paixão pela língua dita trabalho de tradução

Bíblia em MirandêsDomingos Augusto Ferreira, de 62 anos de idade, natural de São Martinho de Agueira, residente em Genísio, Miranda do Douro, resolveu ocupar os seus dias de um modo original e lançou-se a um trabalho que muitos considerariam impossível. Começou o trabalho de “tradução” da Bíblia do português para o mirandês, a sua língua materna, de casa, da aldeia, da família, ainda antes de essa língua ter sido oficializada como segunda língua de Portugal. Nesse tempo não havia Convenção Ortográfica, nem dicionário que lhe pudesse valer. Fez tudo de memória, lembrando o falar que tinha aprendido antes de entrar para a escola. “Escrevi a partir da tradição oral, o que aprendíamos com a nossa mãe e colegas da aldeia. O mirandês, desde o raiano até ao sendinês varia muito, e eu procurei transcrevê-lo para o livro como as nossas mães e os nossos pais nos ensinaram”, explicou ao Mensageiro. Em 1999, quando a Assembleia da República aprovou a lei que concedia ao mirandês o estatuto de segunda língua oficial de Portugal, já tinha traduzido o primeiro volume. Essa oficialização deu-lhe ânimo para continuar. Note-se que estas traduções foram feitas em manuscrito e depois foram devidamente encadernadas. A oficialização faz este ano 10 anos, que foi precisamente o tempo que demorou Domingos Ferreira a fazer a transcrição e tradução do Antigo e Novo Testamento.
Só tem pena de não ter usado sempre a mesma caneta, para manter a uniformidade total que uma caligrafia cuidada e já pouco frequente permitiu. Contou-nos que foi traduzindo e escrevendo directamente, sem rascunhos, porque se tivesse perdido tempo a fazer ensaios talvez não tivesse conseguido terminar a tarefa.

«Tudo começou numa altura em que não tinha trabalho e não sabia como ocupar o tempo livre. Também nos confirmou que é católico, ou pelo menos procura sê-lo. “Eu procuro, se bem que cem por cento suponho que não exista, mas eu procuro seguir a religião que nossos país nos incutiram”. Além da religião herdou a língua que, nos tempos em que foi estudar para o Porto, por vezes lhe causava “embaraços”. Fez o antigo Quinto Ano na Escola Soares dos Reis, onde tirou o curso industrial de tipógrafo, terminado em 1966. “Quando andava no Porto achavam um bocadinho esquisito porque, de vez em quando, as palavras atiravam-me para o mirandês e como estávamos lá, num centro de Portugal, onde isto não era imaginado, quanto mais conhecido, a mim chamavam-me muitas vezes o canholas, de espanhol”. (…) Ainda trabalhou como tipografo, em Palaçoulo, mas, como as condições de trabalho também não eram as melhores, surgiram os computadores e as novas tecnologias, não conseguiu adaptar-se. De modo que lhe sobrou tempo, entre os trabalhos nas hortas e as quotidianas ocupações. “Às vezes chegava das hortas e, nesta horas de mais calor, vinha para aqui. No inverno trabalhava na cozinha, ao pé da lareira. Passava as horas nisto”. Com a tradução terminada, anda agora num Curso das Novas Oportunidades, em Malhadas, para tirar o 12º ano.»

«Nesse curso não põe tanto enlevo como na sua tradução, que não segue a Convenção Ortográfica, nem seguirá outras, mas foi feita com o prazer de uma língua que torna tudo um bocadinho diferente, um pouco menos pesado que o português, um pouco mais carinhoso ou alegre o que se escreve e diz. “A gente estava habitada a ler a Bíblia em português e ao estarmos a lê-la em mirandês encontro interessaste, patusco, parece que tem mais sabor. Estamos naquela língua em que estamos no meio, que é a nossa. Em português, se eu ler, ao cabo de meia dúzia de linhas já estou cansado. Ali parece que me anima a ler a Sagrada Escritura. Perece ter outra musicalidade”, explicou. Domingos tem pena que hoje se fale menos mirandês. “As pessoas deveriam exercitar um bocadinho mais essa língua, porque é a tradição oral dos nossos pais, nos nossos antepassados. Em Miranda não se fala e é uma pena”. Ele continua a falar, em casa, com a família, ou com os amigos da aldeia. De resto, desde que foi para a escola, o português entrou na sua vida como língua “principal”, na qual tinha que falar, para não lhe serem atribuídos “epítetos”. “O português tivemos sempre que o acompanhar, porque na escola era obrigatório”. A traduzir a Bíblia, prática do uso do mirandês não lhe faltou, mesmo quando não obedece às actuais regras ortográficas. A edição manuscrita já esteve em exposição no Museu Terras de Miranda. A Casa da Cultura Mirandesa é outro dos espaços onde a tradução poderá ser apreciada. Mas só apreciada, porque este original, que saiu das suas mãos, é também uma herança que quer deixar aos seus descendentes.»

(Texto integralmente retirado da Página Web de O Mensageiro Notícias-Bragança: http://www.mdb.pt/noticia/1924)
Algumas datas importantes na história da tradução

21 de Fevereiro

No dia 21 de Fevereiro celebra-se o "Dia Internacional da Língua Materna".
Este dia foi proclamado pela 30.ª Conferência Geral da UNESCO, em Novembro de 1999. As comemorações têm como objectivo promover e preservar a diversidade linguística e cultural e o plurilinguismo.

30 de Setembro

gravura da biblioteca nacionalDia do Tradutor, Dia de São Jerónimo

Por que razão São Jerónimo é o padroeiro dos tradutores?

De nome completo Sofrónio Eusébio Jerónimo, São Jerónimo nasceu em Estridão, Dalmácia, entre 340 e 342. Educado em Roma, após uma longa doença sentiu a vocação religiosa. No ano de 374, partiu para a Palestina onde estudou hebraico e exegese bíblica. Residiu em Constantinopla e em Roma, como secretário do papa Dâmaso. Após a morte do papa instalou-se em Belém.  
Entre as suas numerosas obras literárias importa citar De viris illustribus, uma colecção de biografias de escritores cristãos de elegante estilo, que denota o seu profundo enraizamento nos clássicos greco-latinos. Mas onde mostra tanto o ardor intelectual como a versatilidade de tons expressivos é na sua grande obra, a tradução da Bíblia para latim, ou Vulgata. São Jerónimo, conhecedor do grego e do hebraico, estabeleceu esta versão das Escrituras, que é a adoptada oficialmente pela Igreja, após compilar uma infinidade de documentos no decorrer das suas longas viagens pelo Oriente.
O seu talento de escritor aprecia-se particularmente nas suas cartas, nos comentários dos salmos e nas biografias dos ermitões.
São Jerónimo morre a 30 de Setembro de 419 ou 420, em Belém, Palestina, sendo posteriormente trasladado para Roma, Itália.

Trata-se do primeiro tradutor conhecido da Bíblia com uma versão que prevalece ainda hoje como a adoptada oficialmente pela igreja.
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